quinta-feira, 26 de maio de 2011

Agenda Cultural: Coisas nerdísticas para ver em Victoria




Royal BC Museum: Eu sei que o meu gorro está estranho e parece uma camisinha. Ha, ha

Em homenagem ao dia 25 de maio, que foi o dia do orgulho Nerd, (e o dia da toalha para os fãs do Guia do Mochileiro das Galáxias), hoje postarei opções de programas culturais nerdisticos em Victoria. 

Uma cidade universitária como Victoria certamente tem toda uma variedade de museus, cinemas, teatros e óperas. Na época que eu fui, estava passando “La Bohéme”, mas esqueci de marcar com antecedência e quando fui comprar o ingresso, estava esgotado.
                
             A cidade conta com um Museu maritimo, um museu-maquete, o Miniature world, em que se pode soltar o Godzilla (e tirar foto desse momento para que os seus amigos possam rir de você). Em fevereiro tem o festival de cinema, com filmes distribuídos entre os 11 cinemas da cidade, incluindo o da Cinecenta, da Uvic, que exibe filmes cult como (adivinha só) “Cidade de Deus”.

O Royal BC Museum é um museu de historia natural e de ciencias, que também abriga o IMAX, um cinema com uma tela gigante que passa filmes cientificos, e documentários da Nat Geo mas também filmes de massa, como Harry Potter (adivinha qual eu fui ver). Preço com carteirinha: 10 dólares canadenses.

Para ir ao Royal BC, chegue bem cedo ou reserve mais de um dia para visitá-lo. Tem uma seção de insetos, uma dedicada à cultura, e arte dos nativos caandenses (First Nations) bem como  à exploração dos mesmos pelo homem, uma de animais como cavalos, focas e mamutes (eu tinha que falar do mamute, todo mundo só quer saber de tirar foto com o incrível mamute em tamanho natural).
Eu e o mamute

A seção mais legal pra mim foi a de História. Eles tinham uns cenários em tamanho natural, replicas de cinemas antigos, de confecções, de gráficas, de estações de trem.

Uma dama no saloon







 E pode tirar foto, desde que seja sem flash (PS: vamos ser legais, coleguinhas, e não pagar mico. Vocês representam o Brasil lá fora. Nada de jeitinho). Na saída do hotel, a loja de presentes tem de lembrancinhas da net geo, a jogos educativos e até cachecóis. 

Quase esqueci da limusine do John Lennon, o Yellow Submarine, na entrada do Museu.



Outro ponto que vale a pena conhecer é o telescópio do Bob Wright Centre na Universidade de Victoria. Ele eh simplesmente o quinto maior do Canadá, e o maior instalado em uma universidade.




 Se você estiver em Victoria por um tempinho considerável, não custa nada (literalmente, é um programa 0800) e é uma experiência gratificante até para leigos. Do lado de fora, na sacada, há telescópios menores, com professores e alunos da área para explicar o que você está vendo.  

A Naho aprende sobre o Cinturão de Órion no Bob Wright Centre


Por falar em 0800, o tour do Parlamento também é de graça. Pra falar a verdade, não é um tour muito longo, dura apenas 30 minutos, e a guia explica como funciona o sistema eleitoral do Canadá.



Se preferir  continuar na mesma linha, pode aproveitar para visitar o Empress, e pagar 10 dólares para fazer uma visita ao hotel, guiada por uma senhora vestida a caráter. O Empress é o hotel mais tradicional de Victoria, e recebe celebridades desde 1908.  Mais uma vez, é uma boa se a sua é conhecer a fundo a história de Victoria. Se estiver disposto(a) a desembolsar 100 dólares, é possível comer um brunch com seus amigos no hotel. 

Por ultimo, mas não menos importante, aproveite as visitas aos castelos de Craigdarroch e Royal Roads University, esta última que serviu de cenário para os filmes X-men 2 e 3. 

Royal Roads



Tentando parecer uma X-men

A Cindy me levou brevemente ao Craigdarroch. Achamos que daria tempo para visitar de novo, mas não deu. Na Royal Roads há ainda um lindo jardim japonês. 

Quantas pessoas será que fazem essa mesma pose idiota quando entram em um jardim japonês?



             Tem programa para todos os gostos e bolsos. É só escolher.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Escolhendo a família anfitriã








Eu já falei aqui no site sobre os meus motivos para optar por “família anfitriã”, ao fazer intercâmbio. E que tanto a residência estudantil quanto a opção homestay são basicamente uma loteria. E no caso de homestay, a loteria é tanto para o estudante quando para a família. Quanto a mim, dei sorte duas vezes, azar uma vez. Acontece.

Para isso servem os formulários que você preenche na agência de intercâmbio. Eles têm uma função, que não é ser uma propaganda do shoptime, em que você enaltece as próprias qualidades. Responda com a maior sinceridade possível. Coloque as suas alergias, alimentos que detesta, atividades e preferências.  Se não gosta de crianças, de certos animais, ou de todos os animais, se prefere morar perto de onde vai estudar, fale agora ou cale-se para sempre. Depois não adianta reclamar.  Bom, até adianta, você pode contactar o programa, e existem sites para isso.  Mas alguns programas sao especialmente problemáticos quando se precisa deles, e te fazem ouvir muita musiquinha no telefone. Eu passei por isso com a EF. Por outro lado, no meu segundo intercâmbio, o pessoal da PUC-Rio (http://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccci/curtaduracao/) foi fofo demais, e de Victoria também (Não estou ganhando comissão pra falar bem deles).
 
Uma família anfitriã, bem como um colega de apartamento, é como um casamento que tem hora para acabar. Se o casamento terá um fim amigável cheio de boas lembranças e saudades, ou litigioso, com brigas e partilha de bens no final, não há como saber. Mas cada um pode fazer a sua parte, no caso dos alunos, ajudando nas tarefas domésticas, avisando se vai chegar tarde, respeitando a casa da família bem como os seus membros, por parte da família, oferecendo um quarto limpo com cama, e armário para as roupas.



Também existe uma diferença entre choque cultural, frescura, saudades de casa e família problemática. As vezes, nos sentimos estranhos, com saudades de casa, da comida, e isso é normal. Você está em outro país. A comida vai ser diferente.


Ajudar a família com as tarefas domésticas também é normal, porque em países de primeiro mundo, o custo de contratar uma empregada é muito alto. Quer mordomia, pague um hotel.

 Dividir o quarto com uma pessoa é normal. Mas quando a família anfitriã hospeda mais de dois estudantes de intercãmbio, coloca todo mundo para trabalhar em casa em um regime de rodizio, e coloca 4 pessoas em um quarto com duas beliches, isso não é aceitável. Ter apenas burritos, salsicha e miojo para almoçar não é normal.


Não deixe que o IEC, ou coordenador de área te convença do contrário. Se não estiver se sentindo bem, converse com a família, e acima de tudo, confie nos seus instintos.




Mas estou escrevendo para compartilhar os preparativos para outra viagem. Vou para a Alemanha em julho e para Vancouver, no Canadá, em agosto. A segunda viagem sera para fazer um curso de 4 meses. A diferença das outras vezes  é que não contratarei um programa de intercâmbio. Estou escolhendo a família por conta própria.

Encontrei esse site http://www.vancouverhomestaysearch.com/hosts.php, um banco de dados de famílias anfitriãs e estudantes de intercâmbio, e estou analisando as minhas opções.
A vantagem do site é saber o que te espera, em termos de preço, instalações e proximidades. Você escolhe se quer ter as refeições em casa, e quais as refeições. E o seu nome e opções também são mantidos no site.

A principal desvantagem é que é preciso tomar muito cuidado, porque eles não são responsáveis pelas famílias listadas. Ou seja, se você optar por morar em uma casa com um solteiro de 53 anos que dorme no sofa da sala, porque o preço é baixo (360 dolares canadenses por mês) a escolha  e responsabilidade são suas.

No mais, é bem divertido. É um pouco como fazer compras, na verdade. Tem as famílias mais caras, que oferecem uma casa cheia de luxo, e tem as mais simples. Tem aquelas mais perto do centro da cidade, e tem aquelas que ficam nas cidades ao redor (você escolheria ir morar em Niteroi, e estudar no Rio, se fosse estrangeiro e estivesse vindo para o Brasil?).

Infelizmente, esse serviço só é oferecido em certas províncias do Canadá. Para outros países e estados, devem existir outros sites. É só procurar. 

Bagagem permitida

Dessa vez quem encontrou a referência foi a minha mãe, o que é muito conveniente porque ontem foi dia das mães, e ela está viajando amanhã. O site desse intercambista, Caio, tem um post sobre as medidas e peso de bagagem para viagens internacionais.  Ou seja, eu copio e coloco os créditos aqui

Tamanho da bagagem de mão



Mala de Mão (Bordo): 115 cm total. 
British: 56cmx45cmx25cm (imagem). 
Iberia
: 55cm x 40cm x 20cm, 10kg. 
Tap
: 55cm/40cm/20cm, 6kgs.  
Jal
: 55cm(L)x40cm(A)x25cm(P), 10kgs.
Lan Chile: 55×35×25, 8kgs. 
United Airlines: 
23 x 35 x 56 cm. 
Lufthansa
: 55 x 40 x 20 cm, 8kgs. 
Alitalia
: 55cm x 35cm x 25cm, 5kg



Companhia Aérea
bagagem de mão
Bagagem despachada – INÍCIO DA PASSAGEM PELO BRASI. VÁLIDO IDA E VOLTA se na mesma passagem

American Airlines
18kgs
2peças x32kg, também se iniciadas nos EUA
link | pdf
United
22+tamanho
2peças x32kg, também se iniciadas nos EUA
link | pdf
Iberia
10kg.
2peças x32kg
link | pdf
Tap
2x 32kg (2pcs)
KLM/AirFrance/Alitalia
12 5 alitalia
2x 32kg
link | pdf
Lufthansa
2x 32kg
link | pdf
TAM
2x 32kg cada (Europa e EUA), também se iniciadas nos EUA |23kg TOTAL total (Am. Sul). Saindo da Europa: 2×23kgs
link | pdf
JAL
10
2x 32kg. EUA e Japão. Limite linear de 2 malas 273cm
link | pdf
Delta
18kgs
2x 32kg (EUA)
link | pdf
Lan
8
2x 32kg (EUA-Europa) | 23kg total (Am. Sul)
link | pdf




terça-feira, 19 de abril de 2011

O castor e o disco de hockey


Eu e o mascote empolgado. 

Em frente ao Save on Foods memorial center
Ir para o Canadá e não assistir a uma partida de Hockey é o mesmo que vir para o Brasil e não assistir a uma partida de futebol ou ir para a Argentina e não assistir o Tango. Você não precisa gostar do esporte. Não precisa nem ser o jogo de um time super famoso, como o Canucks (pelo menos em Victoria, eles são bem famosos, tipo um time da primeira divisão de futebol aqui). Pode ser algo como um jogo do Salmon Kings, o time local de Victoria, contra o Alaska. É simplesmente necessário para conhecer e receber a cultura do país que você está visitando. 

Como este blog é sobre intercâmbio cultural, o que significa troca de culturas, não podia faltar o Hockey aqui. Tem outros esportes, como o curling, ou o esqui, por exemplo, que fazem parte da cultura canadense. Mas os canadenses RESPIRAM Hockey. Assim como no português várias expressões têm a ver com futebol, no ingles Americano, eles fazem referências ao beisebol quando re referem a sexo, por exemplo (first base, second base, hit home) Até as gírias e expressões do inglês canadense têm a ver com Hockey.


Tudo bem, a Cindy detestava Hockey. Eu também sou uma brasileira que não liga pra futebol, mas somos amostras viciadas. Alem do mais, eu fiquei doente no dia em que a minha turma foi ao jogo de curling, então nem posso falar desse esporte.

De qualquer forma, quando cheguei em Victoria, já havia planejado ir a um jogo de Hockey.  Eu estava decidida, nem que fosse preciso cruzar o oceano e ir para Vancouver para isso. Felizmente não foi necessário, já que tive a oportunidade logo na primeira semana. E chamei a Bini e a Saori para irem comigo. Na verdade, tentei botar pilha para a turma toda ir, mas os outros coreanos quiseram ir no grupo deles, e sentamos separados.

No Wendy's, antes do jogo
O jogo aconteceria no Save on Foods Memorial Center, que é um estadio no centro da cidade. Bom, dizem que é no centro, mas dá uma boa caminhada. No caminho, disse pra Bini e pra Saori que as tirinhas de frango do Wendy’s eram muito mais gostosas do que a comida do Mc Donald’s. Claro que eu ainda não tinha provado as batatinhas fritas em Victoria.

Mas estou me desviando do assunto. Era semana dos estudantes. Isso significa que, apresentando a carteirinha da UVIC (ou da faculdade Camosun) que os alunos fazem no primeiro dia de aula, o ingresso custa apenas 10 dolares, e não 17, que é o preço costumeiro. E o refrigerante é gratis.

Eu com a camisa do Salmon Kings


Saori, Bini e eu na loja de presentes

Entramos com algum tempinho de folga e, como uma Becky Bloomista que se preza, fui direto para a loja de presentes. Eu pretendia comprar uma camisa de uniforme, e de repente conseguir um autógrafo de um dos jogadores, mas a camisa custava 90 dolares, e de jeito nenhum eu gastaria quase 200 reais por uma camisa que eu provavelmente só usaria por um mês, e ficaria como lembrancinha no Brasil. Camisas de esportes não fazem muito o meu estilo. Então, acabei comprando uma camiseta de 27 dolares (mais impostos) do Salmon Kings. Porque, afinal de contas, eu ainda tinha a fantasia de que conseguiria um autógrafo e tiraria uma foto com um dos jogadores. Assim como, quando eu tinha uns 4 anos e fui para o zoológico pela primeira vez, tinha a fantasia de que o zoológico era tipo um safari em que a gente interage com os bichos, e no final fiquei super frustrada quando vi que estavam em jaulas. Essa sou eu.

De qualquer forma, se alguém conseguiria um autógrafo com os jogadores, eu seria essa pessoa. Não me leve a mal, eu não estou sendo convencida. Mas era extrovertida o bastante para pedir para estranhos na rua tirarem fotos para nós na rua. E já conhecia o poder de uma estudante de intercâmbio com sotaque.  Além do mais, por mais que Victoria tivesse vários estudantes estrangeiros (é uma cidade universitária, afinal de contas), a maior parte deles era composta de asiáticos, tímidos por natureza) No intervalo, perguntei para a mulher que estava enfileirando as crianças para entrar na quadra, no gelo, sei lá, e falei: “Por favor, nós somos intercambistas, e gostaríamos muito de tirar uma foto com os jogadores”. Foi mais fácil do que eu pensava, porque a mulher me disse para ir esperar no local por onde os jogadores saem, logo antes do fim da partida.




Aliás, deixa eu falar do jogo. Achei muito divertido (nem tanto na TV) e emocionante. 






A cada cinco minutos, um jogador atirava o outro na barreira transparente, fazendo o maior barulho. Parecia um filme de terror, no bom sentido, porque do nada a gente dava uns pulos. Tem também um mascote, um castor (o castor é o animal nacional, por ser diligente e trabalhador, construir represas e tal) alucinado, que ficava dançando, na maior empolgação, as músicas animadas que tocavam, não só no intervalo, mas a cada ponto. Quando ele estava saindo do campo, deu um puck para a Bini. 

Bini mostrando o puck que ganhou do mascote
Para enxergar melhor os lances, eu usava o zoom da camera. Enfim, achei um jogo rápido, com três tempos de 20 minutos. E talvez uma prorrogação com 5 a 20 minutos adicionais.




Violência infantil
E o show do intervalo então? Além das crianças que fizeram uma demonstração da violência, teve uma corrida de bicicletas infantis, em que dois adultos tentavam passar por balizas sem cair.

Quando o jogo estava em três a zero a favour do Salmon Kings, a Saori pediu desculpas e disse que tinha que ir embora, porque de acordo com as regras da família em que ela estava, ela tinha que tomar banho até as dez da noite. Falei que tudo bem, que podíamos ir numa outra vez, mas por dentro estava decepcionada e um pouco irritada. Enfim, saimos do jogo e eu andei com elas até o ponto de onibus.

Acontece que o ponto de onibus delas era diferente do meu, conforme eu descobri tarde demais. E quando eu caminhava de volta para o meu ponto, na direção oposta, vi que o estádio ainda estava de portas abertas e aceso. Foi convite suficiente. “ Você não pode entrar, garota”, o funcionario falou. Ao que eu respondi “ mas eu tenho o ingresso. Eu estava assistindo, mas tive que acompanhar a minha amiga até o ponto de ônibus” . Ok, por mais que fosse verdade, isso nunca colaria no Brasil, e eu nunca conseguiria entrar, como consegui, na cara dura. Mas dessa vez não voltei para o meu lugar. Fui para o lugar por onde os jogadores sairiam no final do jogo. E assisti lá o resto da partida. Eu queria tirar uma foto com o goleiro, o David Shanz (sim, eu acabei de pesquisar o nome dele de novo na Wikipedia).  Mas na hora em que eles saíram, o jogador que me deu atenção foi o Milan Gajic, que é tipo, a estrela do time.
Eu e o Gajic
A propósito: O jogo se chama Hockey no gelo. Existem varios tipos de Hockey. Tem o hockey praticado na rua, sem patins nem nada, e uma bola no lugar do puck, o disco de borracha, que tive a oportunidade de ver uma vez no Inner Harbor. Tem até um time feminino. Tem ainda o Hockey em patins inline, e o Hockey em patins daquele modelo antigo, de duas rodas na frente, duas atrás, com algumas variações nas regras.